Consórcio de carro: some o custo inteiro, não só a parcela.
O consórcio de carro é um grupo em que cada participante paga parcelas e, por sorteio ou lance, recebe uma carta de crédito para comprar carro novo ou usado. Não cobra juros pelo crédito, mas cobra taxa de administração, fundo de reserva e seguro quando o contrato prevê, com correção pelo preço do bem ou pelo índice do contrato.
- Contemplação
- Sorteio ou lance, sem data certaRegra
- Carro novo ou usado
- Os dois, no grupo de veículosRegra
- Juros pelo crédito
- Não há; há taxa e encargosRegra
- Fundo de reserva
- Quando o grupo prevêContrato
- Correção
- Preço do bem ou índice do contratoContrato
- Garantia
- O próprio carro, até a quitaçãoRegra
- Crédito em dinheiro
- Após 180 dias sem usar, quitando o saldoRegra
Regra: Lei 11.795/2008, arts. 14 e 22, e Resolução BCB nº 285/2023, art. 15. Contrato: taxa, fundo, seguro, índice e condições do usado variam por grupo e por administradora.
Do grupo ao carro, em cinco passos.
O consórcio de carro segue a Lei 11.795/2008 e as normas do Banco Central, as mesmas do consórcio de imóvel. Os detalhes de cada grupo estão no contrato.
- Você entra em um grupo de veículos
Escolhe a administradora, o valor da carta e o prazo. Pela norma, o grupo tem por objeto bens de uma só subcategoria: a de veículos reúne veículo automotor, aeronave, embarcação, máquinas e equipamentos.
Lei 11.795/2008, arts. 2º e 12; Resolução BCB nº 285/2023, art. 5º - Paga as parcelas
A parcela soma a sua parte no fundo comum, a taxa de administração e as cobranças do contrato, como fundo de reserva e seguro, em percentual da carta.
Lei 11.795/2008, art. 27 - Concorre à contemplação
Nas assembleias, por sorteio ou por lance, na forma do contrato e conforme o dinheiro do grupo. Só concorre quem está em dia.
Lei 11.795/2008, arts. 22 e 23; Resolução BCB nº 285/2023, arts. 11 e 12 - Escolhe o carro, novo ou usado
Contemplado, você escolhe o carro e o vendedor; no grupo de veículos, a norma não exige carro novo. A carta também pode quitar por inteiro um financiamento de carro em seu nome, com a anuência prévia da administradora e nas condições do contrato.
Lei 11.795/2008, art. 22, § 3º; Resolução BCB nº 285/2023, art. 15 - Passa pela análise e dá o carro em garantia
A administradora confere a sua capacidade de pagamento, os documentos e as garantias, e paga direto ao vendedor. O carro fica em garantia do grupo até a quitação.
Lei 11.795/2008, art. 14; Resolução BCB nº 285/2023, arts. 3º e 18
As normas do Banco Central citadas aqui valem para grupos constituídos a partir de 1º de julho de 2024. O lance pode ser livre, fixo ou embutido, conforme o contrato, e disputa com as ofertas dos outros participantes; quanto do crédito sobra no lance embutido, com a conta aberta, está em lance embutido no consórcio.
O que entra na parcela do consórcio de carro.
O consórcio não cobra juros pelo crédito, mas cobra taxa de administração, fundo de reserva e seguro quando o contrato prevê, com correção da carta e das parcelas pelo preço do bem ou pelo índice do contrato.
A sua parte no dinheiro que compra os carros do grupo.
A remuneração da administradora: um percentual fixo da carta, cobrado em proporção aos meses do plano. Parte dela pode ser cobrada na adesão, se o contrato prevê.
É decisão do grupo: quando o contrato prevê, entra na parcela de todos, para os usos que a regra permite.
Quando o contrato prevê. O que ele cobre está na apólice.
A carta acompanha o preço do bem ou o índice do contrato, e a parcela vai junto. O reajuste vale para aumento ou redução, então a carta muda, em geral para cima.
Lei 11.795/2008, art. 27; Resolução BCB nº 285/2023, arts. 6º, 19, 20 e 22
Compare o custo total, não a parcela
Parcela baixa pode ser só prazo longo. A comparação justa soma tudo o que o consórcio cobra no prazo inteiro, com a correção, e põe ao lado de tudo o que o banco cobraria no mesmo prazo, com juros, IOF, tarifas e seguros.
Multa e juros de mora podem ser cobrados no atraso, se o contrato prever (Lei 11.795/2008, art. 28).
Como comparar duas taxas de administração pelo total e pelo prazo está em taxa de administração do consórcio.
Para moto, cartas menores e prazos mais curtos, a conta está em consórcio de moto.
Para caminhão, com empresa e frota, a conta está em consórcio de caminhão.
Parcela e custo de cartas de R$ 80 mil a R$ 150 mil.
Premissas declaradas: taxa de administração de 15% e fundo de reserva de 2% sobre o valor da carta, cobrados ao longo do prazo, sem seguro, sem lance, sem antecipação de taxa e sem correção. Com taxa de administração entre 12% e 20%, também premissa, a parcela da carta de R$ 100 mil em 60 meses vai de R$ 1.900 a R$ 2.033.
| Carta | Parcela em 60 meses | Parcela em 80 meses | Taxa e fundo no prazo |
|---|---|---|---|
| Carta de R$ 80 mil | R$ 1.560 | R$ 1.170 | R$ 13,6 mil |
| Carta de R$ 100 mil | R$ 1.950 | R$ 1.463 | R$ 17 mil |
| Carta de R$ 150 mil | R$ 2.925 | R$ 2.194 | R$ 25,5 mil |
Valores em moeda de hoje, sem correção. Conta refeita por código em 22 de outubro de 2026: a parcela é o valor da carta mais a taxa de administração e o fundo de reserva, dividido pelo número de meses, antes da correção. Taxa e fundo são premissas desta página, não média de mercado. O fundo de reserva entra como custo inteiro; se sobrar saldo no encerramento do grupo, ele é rateado entre os consorciados ativos (Resolução BCB nº 285/2023, art. 37).
O que a correção faz
A tabela está sem correção. Na vida real, a carta acompanha o preço do bem ou o índice do contrato, e a parcela vai junto. Com a parcela da carta de R$ 100 mil em 60 meses corrigida a 4% ao ano, aplicados mês a mês desde a primeira parcela, hipótese desta conta, o total pago vai de R$ 117 mil para cerca de R$ 129 mil; a 6% ao ano, para cerca de R$ 135,5 mil. Em 80 meses, a parcela cai, mas a 4% ao ano o total sobe para cerca de R$ 133,5 mil.
R$ 100 mil em 60 meses pelos dois caminhos.
O financiamento entrega o carro depois da aprovação do crédito e cobra juros. O consórcio entrega o carro depois da contemplação, que não tem data certa, e da análise da administradora. A conta usa a taxa média do Banco Central para aquisição de veículos por pessoas físicas, de agosto de 2026.
| Critério | Consórcio: carta de R$ 100 mil em 60 meses | Financiamento: R$ 100 mil em 60 meses |
|---|---|---|
| Quando o carro vem | Depois da contemplação, que não tem data certa, e da análise da administradora | Depois da aprovação do crédito pelo banco |
| Parcela | R$ 1.950 antes da correção, em moeda de hoje | R$ 2.856 fixos, em reais correntes, a 1,97% ao mês |
| Total pago no prazo | R$ 117 mil sem correção; cerca de R$ 129 mil com correção de 4% ao ano e R$ 135,5 mil com 6% ao ano | Cerca de R$ 171,4 mil, em reais correntes, sem IOF, tarifas e seguros |
| Custo ao ano | Custo equivalente sem correção: cerca de 8,3% ao ano se contemplado no mês 6, 11,6% no mês 12 e 29,3% no mês 20; a partir do mês 21, nenhuma taxa iguala o pago ao crédito | 26,42% ao ano de juros, a taxa média de agosto de 2026 |
Consórcio em moeda de hoje, sem correção, salvo os totais com correção, que estão em reais correntes; financiamento em reais correntes, porque o juro nominal já embute a inflação esperada. Por isso a linha do custo ao ano favorece o consórcio na medida da inflação. Financiamento: R$ 100 mil sem entrada, 60 parcelas fixas pela tabela Price, à taxa média de juros do Banco Central para aquisição de veículos por pessoas físicas (1,97% ao mês e 26,42% ao ano, agosto de 2026, lida em 22 de outubro de 2026); IOF, tarifas e seguros ficaram fora, o que favorece o financiamento. Consórcio: as premissas da conta acima. Custo equivalente é a taxa ao ano que iguala o que você paga ao crédito que recebe na data da contemplação. A mesma comparação para imóvel está em consórcio ou financiamento.
O que a conta mostra
Contemplado cedo, o consórcio custa, nas premissas desta página, menos ao ano do que a taxa média do financiamento, com a ressalva da moeda na nota acima. Contemplado tarde, a conta vira outra: no mês 20 o custo equivalente, cerca de 29,3% ao ano, passa da taxa média de juros, e a partir do mês 21 nenhuma taxa iguala o que você paga ao crédito que recebe.
O que a conta não mostra
A taxa do seu caso: o banco cobra conforme o seu perfil, a entrada e o carro. O tempo sem carro: enquanto espera, você paga a parcela e o transporte de hoje. E a data da contemplação, que mais muda o custo do consórcio e que ninguém conhece antes.
Contemplado não é ter o carro na mão.
Entre a contemplação e a chave há a análise da administradora, a escolha do carro e o pagamento ao vendedor.
Conferida na adesão e de novo na contemplação, pela política de cada administradora.
A garantia recai sobre o carro comprado. Quando ela é alienação fiduciária, a anotação no certificado de registro do veículo produz efeitos probatórios contra terceiros, sem outro registro público, e a administradora pode pedir garantias complementares.
A norma admite o usado no grupo de veículos. A administradora responde ao grupo se aprovar garantia insuficiente, e por isso confere o carro escolhido; as condições estão no contrato.
O crédito fica à disposição até o terceiro dia útil depois da homologação da contemplação e vai direto ao vendedor, com as garantias e os documentos do contrato.
Lei 11.795/2008, art. 14, §§ 1º, 4º, 5º e 7º; Resolução BCB nº 285/2023, arts. 3º, § 2º, 15, 16 e 18
Sobra, despesas e dinheiro
Carro mais barato que a carta. A diferença pode pagar despesas ligadas à compra, como transferência, tributos, registro e seguro, até 10% do crédito, quitar parcelas futuras ou ser devolvida a você depois de quitadas as suas obrigações com o grupo e com a administradora (Resolução BCB nº 285/2023, art. 18, § 3º).
Crédito em dinheiro. Passados 180 dias da contemplação sem usar o crédito, você pode recebê-lo em dinheiro, quitando antes as suas obrigações com o grupo e com a administradora (Resolução BCB nº 285/2023, art. 15, § 2º).
Quando o consórcio de carro faz sentido, e quando pede cautela.
Três perguntas decidem a maior parte dos casos: o carro pode esperar a contemplação, a parcela cabe hoje e corrigida, e há dinheiro para lance sem mexer na reserva.
Segundo carro, troca planejada ou frota que cresce aos poucos: a espera pela contemplação cabe no plano.
Quem precisa do carro no mês que vem não combina com uma contemplação sem data. Aí, o financiamento ou a compra à vista entram na conta.
Valor separado da reserva de emergência permite ofertar lance e disputar a contemplação antes, sem certeza de vencer.
A parcela é corrigida ao longo do prazo e, enquanto o carro não vem, pode somar com o custo do transporte de hoje.
Ninguém pode prometer em que assembleia a sua cota será contemplada. Sorteio é sorteio, e o lance depende das outras ofertas e do dinheiro do grupo (Lei 11.795/2008, arts. 22 e 23). Confira se a administradora tem autorização do Banco Central antes de assinar.
O que esta página não diz.
As contas são ilustração com premissas declaradas, não proposta. Os números que valem são os do contrato do grupo e da proposta do banco.
Premissas, não médias
A taxa de administração de 15%, a faixa de 12% a 20% e o fundo de reserva de 2% são premissas desta página, não médias de mercado. A correção de 4% e de 6% ao ano é hipótese; o índice e a periodicidade são os do contrato, e a carta pode também cair se o preço do bem cair.
O que ficou fora
Seguro do consórcio, antecipação de taxa, lance, multa rescisória e o IOF, as tarifas e os seguros do financiamento ficaram fora das contas.
As regras comuns a qualquer bem estão no guia consórcio imobiliário.

O carro certo começa pelo plano.
Sou Adriano Teles, Estrategista Financeiro, empresário, sócio da W1 e fundador do escritório W1 Brasília. Atuo no mercado financeiro desde 2008.
Antes de qualquer contrato, olho a compra dentro do seu orçamento: qual carro faz sentido, quando você precisa dele, qual prazo e qual parcela cabem hoje e corrigidos, e quanto cada caminho custa no total e no tempo.
Quando o consórcio entra no plano, a análise compara administradoras autorizadas pelo Banco Central, e você confere a administradora, o grupo e as condições do contrato antes de assinar qualquer coisa.
Dúvidas sobre consórcio de carro.
As respostas seguem a Lei 11.795/2008, a Resolução BCB nº 285/2023 e as séries de juros do Banco Central. O contrato do seu grupo traz as regras do seu caso.
Como funciona o consórcio de carro?
Você entra em um grupo de veículos, paga parcelas com a sua parte no fundo comum, a taxa de administração e os encargos do contrato, e concorre nas assembleias à contemplação por sorteio ou lance (Lei 11.795/2008, art. 22, § 1º). Contemplado, escolhe o carro, passa pela análise da administradora, e ela paga direto ao vendedor (Resolução BCB nº 285/2023, art. 18).
Consórcio de carro vale a pena?
Pode valer para quem pode esperar a contemplação e tem a parcela folgada no orçamento. Na conta desta página, com carta de R$ 100 mil em 60 meses, o custo equivalente sem correção é de cerca de 11,6% ao ano se a contemplação vier no mês 12 e de 29,3% no mês 20; a partir do mês 21, nenhuma taxa iguala o pago ao crédito. A data da contemplação decide o custo, e ninguém a conhece antes.
Qual consórcio de carro faz mais sentido?
O que faz mais sentido é o que cabe no seu prazo e no seu orçamento, comparado pelo total: taxa de administração, prazo, antecipação na adesão, fundo de reserva, seguro e índice de correção. A administradora precisa de autorização do Banco Central (Lei 11.795/2008, art. 7º, I). Como comparar duas taxas está em taxa de administração do consórcio.
Dá para comprar carro usado com consórcio?
Sim. No grupo de veículos, a Resolução BCB nº 285/2023 deixa o crédito comprar o bem da subcategoria sem exigir que seja novo (art. 15, I, a); a exigência de bem novo vale para os outros bens móveis (art. 15, I, b). O carro fica em garantia do grupo, e a administradora confere se ele serve de garantia (Lei 11.795/2008, art. 14). As condições do usado estão no contrato.
Como fazer a simulação do consórcio de carro?
Some a carta, a taxa de administração e o fundo de reserva e divida pelo número de meses: é a parcela antes da correção. Uma carta de R$ 100 mil com taxa de 15% e fundo de 2%, premissas desta página, dá R$ 1.950 em 60 meses e R$ 1.463 em 80 meses. Depois, aplique a correção do contrato e acrescente o seguro, se houver.
O que acontece se eu desistir do consórcio de carro?
Quem sai antes da contemplação recebe o que pagou ao fundo comum, calculado pelo percentual amortizado do valor do bem vigente na assembleia em que a cota excluída for contemplada, com os rendimentos (Lei 11.795/2008, art. 30). O contrato pode prever multa rescisória, dentro dos limites da Resolução BCB nº 285/2023 e cobrada na contemplação (art. 32-A). A taxa de administração paga não volta. Quanto volta e quando, com a conta aberta, está em desistir do consórcio.
Fontes
Publicado em . Textos legais e séries de taxas de juros do Banco Central lidos em 22 de outubro de 2026. As contas desta página foram refeitas por código na mesma data, com as premissas declaradas nas seções da conta.
A Resolução BCB nº 285/2023 vale para grupos constituídos a partir de 1º de julho de 2024. Grupos anteriores seguem as regras da época, com as exceções da própria resolução (arts. 56, 57 e 59).
- Lei nº 11.795, de 8 de outubro de 2008, que dispõe sobre o sistema de consórcio, arts. 2º, 7º, 12, 14, 22, 23, 24, 27, 28 e 30.
- Resolução BCB nº 285, de 19 de janeiro de 2023, sobre a constituição e o funcionamento dos grupos de consórcio, no texto consolidado do Banco Central, com as alterações da Resolução BCB nº 362, de 14 de dezembro de 2023, arts. 3º, 5º, 6º, 11, 12, 13, 15, 16, 18, 19, 20, 22, 32-A, 37, 56, 57 e 59.
- Série 20749 do Banco Central, taxa média de juros das operações de crédito com recursos livres, pessoas físicas, aquisição de veículos, em % ao ano: 26,42% em agosto de 2026.
- Série 25471 do Banco Central, taxa média mensal de juros da mesma modalidade: 1,97% ao mês em agosto de 2026.
Antes de escolher a carta, faça a conta inteira.
Conte qual carro você quer, o prazo que tem e o seu momento financeiro. Vamos comparar cartas, prazos e encargos pelo total e pelo tempo, e ver se o consórcio é o caminho.
O formulário é o primeiro passo, não uma contratação. Para entender o consórcio em detalhe, leia o guia consórcio imobiliário: como funciona e quando vale a pena.