ADRIANO TELESESTRATÉGIA FINANCEIRA Sessão estratégica

Juros compostos: os juros que rendem sobre os juros.

Juros compostos são juros calculados sobre o valor inicial somado aos juros já acumulados, por isso o saldo cresce mais a cada período. A fórmula é M = C × (1 + i)ⁿ. Abaixo, a conta aberta com juros simples ao lado, a taxa mensal equivalente, a inflação e a regra de 72.

No mercado financeiro desde 2008 Séries do Banco Central lidas na data Premissas declaradas, conta refeita por código
Juros compostos em uma ficha
Fórmula
M = C × (1 + i)ⁿRegra
Juros do período
Sobre o saldo com os juros anterioresRegra
Taxa e prazo
Na mesma unidade, mês com mêsRegra
12% ao ano efetivos
Equivalem a 0,95% ao mêsRegra
Taxa da aplicação
A do produto, não a desta páginaContrato
Imposto e inflação
Reduzem o ganho que sobraVocê

Regra: matemática financeira, conferida por código nesta página. Contrato: cada aplicação ou empréstimo tem a taxa e a forma de cálculo dele. Você: o imposto e a inflação do seu caso; nas contas desta página, premissas.

A fórmula

Quatro letras: o montante, o capital, a taxa e o prazo.

Nos juros compostos, os juros de cada período entram no saldo, e o período seguinte calcula juros sobre esse saldo maior. Por isso a fórmula eleva o fator da taxa ao número de períodos, em vez de multiplicar a taxa pelo prazo, como nos juros simples.

M = C × (1 + i)ⁿ, letra por letra
M, o montanteRegra

O saldo no fim do prazo: o capital mais todos os juros acumulados.

C, o capitalRegra

O valor aplicado ou devido no começo.

i, a taxaRegra

A taxa de cada período, escrita em decimal: 1% ao mês entra na conta como 0,01.

n, o prazoRegra

O número de períodos, na mesma unidade da taxa: taxa ao mês com prazo em meses, taxa ao ano com prazo em anos.

Os juros do prazo inteiro são J = M menos C.

Três leituras que a fórmula esconde

A unidade manda. Taxa de 1% ao mês com prazo de 2 anos dá conta errada se o prazo não virar 24 meses.

Taxa anual efetiva não se divide por 12. A taxa mensal equivalente a 12% ao ano efetivos é (1,12)1/12 menos 1, ou 0,95% ao mês. E 1% ao mês, composto por 12 meses, dá 12,68% ao ano. Contrato que escreve a taxa ao ano como a do mês vezes 12 segue outra conta: ali, 12% ao ano quer dizer 1% ao mês, e a taxa efetiva do ano é 12,68%.

No fim do primeiro período, simples e compostos empatam. A diferença nasce a partir do segundo período, quando os juros do primeiro já estão no saldo, e cresce com o prazo.

A mesma conta, com aporte mensal e inflação, está na calculadora de juros compostos e aportes da página Calculadoras.

A conta aberta

R$ 10 mil a 1% ao mês: simples contra compostos.

Premissas declaradas: capital de R$ 10.000, taxa de 1% ao mês, sem aportes nem retiradas, sem imposto de renda, sem taxas e sem descontar a inflação. A taxa é um exemplo para a conta, não a de uma aplicação ou de um empréstimo.

Juros compostos contra juros simples: montante de R$ 10.000 a 1% ao mês em quatro prazos, em reais
Critério12 meses5 anos10 anos20 anos
Montante com juros simplesR$ 11.200,00R$ 16.000,00R$ 22.000,00R$ 34.000,00
Montante com juros compostosR$ 11.268,25R$ 18.166,97R$ 33.003,87R$ 108.925,54
Diferença a favor dos compostosR$ 68,25R$ 2.166,97R$ 11.003,87R$ 74.925,54

Valores em reais nominais, sem descontar a inflação, conta refeita por código em 27 de outubro de 2026: juros simples M = C × (1 + i × n); juros compostos M = C × (1 + i)ⁿ, com n em meses.

Com aporte mensal

Premissa de exemplo: aporte de R$ 1.000 no fim de cada mês, a uma taxa constante de 0,8% ao mês (cerca de 10,03% ao ano), sem imposto, sem taxas e sem descontar a inflação: em 10 anos, R$ 120.000 aportados viram cerca de R$ 200.217; em 20 anos, R$ 240.000 viram R$ 721.131; em 30 anos, R$ 360.000 viram R$ 2.076.413.

A fórmula do aporte é M = A × [(1 + i)ⁿ menos 1] ÷ i, com A o aporte e n em meses. Nos 30 anos, os juros respondem por R$ 1.716.413 do saldo, e os aportes, por R$ 360.000.

O que a conta ignora

Imposto e taxas. Em aplicações tributadas, o imposto sai do ganho, e taxas reduzem o saldo que rende no período seguinte.

Inflação. Os valores estão em reais nominais. O poder de compra depende da inflação do período, na seção abaixo.

Taxa constante. A conta supõe a mesma taxa todo mês. Na vida real, a taxa varia de produto para produto e, em muitos deles, muda com o mercado.

Os juros de títulos públicos numa conta com imposto e taxa de custódia estão em Tesouro Direto, e como transformar patrimônio em renda, em renda passiva.

Juros reais e regra de 72

O que importa é o que sobra depois da inflação.

A taxa real se calcula por divisão, não por subtração: (1 + taxa nominal) ÷ (1 + inflação) menos 1. Como referência na data desta página, a meta da taxa Selic estava em 13,75% ao ano e o IPCA de 12 meses até setembro de 2026, em 4,58%, nas séries do Banco Central lidas em 27 de outubro de 2026.

Uma hipótese, em reais e em poder de compra
Taxa nominal da hipóteseVocê

13,75% ao ano, todo ano, antes de imposto e de taxas: o número da meta da Selic na data, usado só como exemplo.

Inflação da hipóteseVocê

4,58% ao ano, todo ano.

Taxa realRegra

1,1375 ÷ 1,0458 menos 1, ou 8,77% ao ano. A subtração simples daria 9,17% e exageraria o ganho.

R$ 10 mil em 10 anosRegra

R$ 36.267,20 em reais nominais, que compram o que R$ 23.175,42 compram hoje, nas premissas da hipótese.

Hipótese para a conta, com as duas taxas fixas por 10 anos. A meta da Selic é a taxa básica da economia, definida pelo Copom, não o rendimento de uma aplicação: mesmo o título que acompanha a Selic rende a taxa do período, que muda, antes de imposto e de taxas.

A regra de 72

Dividir 72 pela taxa anual, em porcentagem, dá uma estimativa de quantos anos o dinheiro leva para dobrar a juros compostos. A conta exata é ln(2) ÷ ln(1 + taxa em decimal).

A 6% ao ano: 12 anos pela regra, 11,9 pela conta exata. A 8%: 9 e 9,0. A 12%: 6 e 6,1. A 13,75%: 5,2 e 5,4. Perto de 8% ao ano, a regra quase coincide com a conta exata. Abaixo disso, ela alonga o prazo; acima, encurta, e a diferença cresce com a taxa.

O outro lado

Os mesmos juros compostos cobram de quem deve.

O mecanismo não escolhe lado. Num saldo devedor que não é pago, os juros do mês entram no saldo, e o mês seguinte cobra juros sobre eles. Um saldo de R$ 10.000 a 2% ao mês, taxa de exemplo, sem nenhum pagamento, vira R$ 12.682,42 em 12 meses, na mesma fórmula M = C × (1 + i)ⁿ.

Antes de comparar dois caminhos

Taxa e prazo na mesma unidade. Taxa mensal se compara com taxa mensal, e anual com anual, convertidas pela fórmula da taxa equivalente.

O total pago, não só a parcela. Num financiamento, a parcela menor com prazo maior pode custar mais no total, porque os juros correm por mais tempo.

Onde a conta entra no plano

Os juros compostos explicam por que começar cedo pesa no longo prazo: quanto mais períodos, mais juros sobre juros. O plano olha os dois lados, o que rende e o que custa, com o prazo de cada objetivo.

Antes de investir, vem a reserva: quantos meses guardar e com que liquidez está em reserva de emergência.

A comparação entre os juros do financiamento imobiliário e os custos do consórcio, com as taxas do Banco Central, está em consórcio ou financiamento.

Esta página é educativa e não recomenda produto, instituição ou ativo. A orientação, a recomendação ou o aconselhamento individualizado sobre investimentos em valores mobiliários é atividade de consultor registrado na CVM (Resolução CVM 19/2021, arts. 1º e 2º). Para entender o papel de cada profissional, veja planejador financeiro.

Retrato de Adriano Teles
Quem faz o plano com você

A fórmula é a mesma para todos. O prazo de cada um, não.

Sou Adriano Teles, Estrategista Financeiro, empresário, sócio da W1 e fundador do escritório W1 Brasília. Atuo no mercado financeiro desde 2008.

Meu trabalho é o plano: fluxo de caixa, proteção, investimentos, previdência e sucessão olhados em conjunto, com a conta de cada decisão. Os juros compostos entram no plano como o motivo para começar cedo. O plano diz quanto guardar e em que prazo; a escolha dos investimentos e de onde eles ficam é sua.

Desde 2008No mercado financeiro
W1 BrasíliaFundador do escritório
Computação + MBABase analítica e financeira
EmpresárioVisão prática de capital e decisões
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Perguntas frequentes

Dúvidas sobre juros compostos

Respostas curtas, com a conta desta página.

O que são juros compostos?

São juros calculados sobre o capital somado aos juros já acumulados. A cada período, os juros entram no saldo, e o período seguinte calcula juros sobre esse saldo maior. Por isso são chamados de juros sobre juros.

Qual é a fórmula dos juros compostos?

M = C × (1 + i)ⁿ, em que M é o montante, C o capital, i a taxa do período em decimal e n o número de períodos, na mesma unidade da taxa. Os juros do prazo inteiro são M menos C.

Qual a diferença entre juros simples e compostos?

Nos juros simples, a taxa incide só sobre o capital inicial: M = C × (1 + i × n). Nos compostos, incide sobre o saldo com os juros anteriores. Com R$ 10.000 a 1% ao mês, taxa de exemplo, a diferença é de R$ 68,25 em 12 meses e de R$ 74.925,54 em 20 anos, sem imposto e taxas e sem descontar a inflação.

Como transformar taxa anual em taxa mensal?

Pela taxa equivalente: (1 + taxa anual efetiva) elevado a 1/12, menos 1. Uma taxa efetiva de 12% ao ano equivale a 0,95% ao mês, não a 1%. No sentido inverso, 1% ao mês, composto por 12 meses, dá 12,68% ao ano. Se o contrato escreve a taxa ao ano como a do mês vezes 12, a do mês é a anual dividida por 12.

Quanto rendem R$ 10 mil a juros compostos?

Depende da taxa e do prazo. A 1% ao mês, sem imposto e taxas e sem descontar a inflação, R$ 10.000 viram R$ 11.268,25 em 12 meses, R$ 33.003,87 em 10 anos e R$ 108.925,54 em 20 anos. A taxa é um exemplo para a conta, não a de uma aplicação.

O que é a regra de 72?

É um atalho para estimar em quantos anos o dinheiro dobra a juros compostos: 72 dividido pela taxa anual em porcentagem. A 8% ao ano, 9 anos, contra 9,0 da conta exata; a 13,75%, 5,2 anos, contra 5,4 da conta exata.

Fontes

Publicado em . Séries do Banco Central lidas em 27 de outubro de 2026. As contas desta página foram refeitas por código na mesma data, com as premissas declaradas em cada seção. A Resolução CVM 19/2021 não foi relida nesta data: a citação segue a leitura de 14 de outubro de 2026.

As taxas das contas são exemplos, não promessa de rendimento nem indicação de aplicação. A meta da Selic e o IPCA aparecem como referência na data da leitura e, na hipótese da seção de inflação, só como números de exemplo.

  1. Banco Central do Brasil, Sistema Gerenciador de Séries Temporais, série 432, meta da taxa Selic definida pelo Copom, lida em 27 de outubro de 2026: 13,75% ao ano, em vigor desde 17 de setembro de 2026.
  2. Banco Central do Brasil, Sistema Gerenciador de Séries Temporais, série 13522, IPCA acumulado em 12 meses, lida em 27 de outubro de 2026: 4,58% até setembro de 2026.

Os juros compostos trabalham com o tempo. O plano decide o tempo.

Conte a sua renda, a sua reserva e os seus objetivos. A Sessão Estratégica Financeira é a conversa que decide se faz sentido seguir com um plano, e onde cada prazo entra nele.

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