Regra dos 4%: quanto o dinheiro dura depende do retorno real.
A regra dos 4 por cento é uma referência de retirada: 4% do patrimônio no primeiro ano da aposentadoria e, nos anos seguintes, o mesmo valor corrigido pela inflação. Um estudo americano de 1998, com dados de 1926 a 1995, testou retiradas desse tipo. No Brasil, quanto o dinheiro dura depende do retorno real líquido de imposto, custos e inflação.
- Retirada do primeiro ano
- 4% do patrimônioRegra
- Anos seguintes
- O mesmo valor, corrigido pela inflaçãoRegra
- Patrimônio pela regra
- Gasto do ano vezes 25Regra
- Dados do estudo de 1998
- Estados Unidos, de 1926 a 1995Regra
- Prazo da sua aposentadoria
- 30, 40 ou 50 anosVocê
- Retorno real líquido
- Premissa, nunca promessaVocê
Regra: como a regra dos 4% funciona e o estudo do AAII Journal de 1998. Você: o seu gasto, o seu prazo e o retorno real que você supõe, em reais de hoje.
Quatro por cento no primeiro ano, o mesmo poder de compra depois.
A regra dos 4 por cento é uma referência para a fase em que o patrimônio paga as contas. No primeiro ano, a retirada é de 4% do patrimônio. Nos anos seguintes, é o mesmo valor corrigido pela inflação, não 4% do saldo de cada ano. Por isso a regra pode consumir o patrimônio aos poucos.
Retirada de 4% do patrimônio do início da aposentadoria. Com R$ 3 milhões, R$ 120 mil no ano, ou R$ 10 mil por mês.
O valor do primeiro ano, corrigido pela inflação. Em reais de hoje, a retirada fica parada; o saldo sobe quando o retorno repõe a retirada e cai quando não repõe.
Se 4% do patrimônio pagam um ano de gastos, o patrimônio precisa ser 25 vezes o gasto do ano. É a conta de patrimônio da regra.
A regra descreve uma retirada; ela não diz em que investir nem quanto a carteira vai render.
Regra dos 4% e viver de renda não são a mesma conta
Viver de renda retira só o retorno real, depois que ele entra, e deixa o principal, o valor aplicado, intacto em reais. Com retorno real de 4% ao ano, R$ 3 milhões rendem R$ 120 mil, retirados no fim de cada ano, enquanto o retorno se mantiver.
A regra dos 4% aceita gastar o principal ao longo de um prazo. O número inicial é o mesmo, mas a regra foi testada para durar um prazo, de 15 a 30 anos no estudo de 1998, não para sempre.
A diferença aparece quando o retorno real não repõe a retirada. Viver de renda corta a retirada; a regra mantém a retirada e consome o patrimônio. Com a retirada no começo do ano, como na conta desta página, a regra só preserva o patrimônio a partir de cerca de 4,17% ao ano.
A conta de quanto patrimônio pede uma renda que não consome o principal, com o imposto de cada fonte, está em renda passiva.
Um estudo americano, com dados de 1926 a 1995.
Esta página usa o estudo publicado em fevereiro de 1998 no AAII Journal, revista da associação americana de investidores individuais (AAII), com o título Retirement Savings: Choosing a Withdrawal Rate That Is Sustainable, lido em 7 de novembro de 2026 na página da AAII.
De 3% a 12% ao ano. A retirada do primeiro ano era um percentual do valor inicial da carteira; uma tabela manteve esse valor fixo em dólar, e outra o corrigiu pela inflação.
15, 20, 25 e 30 anos, que o estudo considerou coerentes com a expectativa de vida da maior parte dos aposentados.
De 100% em ações a 100% em títulos, com o índice S&P 500 no lugar das ações e títulos corporativos de longo prazo e alta qualidade no lugar dos títulos.
Imposto e custos de transação. O próprio estudo diz que a experiência de cada investidor seria diferente por isso.
AAII Journal, fevereiro de 1998, lido em 7 de novembro de 2026
O que o estudo concluiu
Com os dados de 1926 a 1995 e retiradas fixas em dólar, sem correção pela inflação, 3% e 4% eram muito pouco prováveis de esgotar qualquer carteira de ações e títulos nos prazos de 15 a 30 anos, se a história servir de guia para o futuro. Com a retirada corrigida pela inflação, como na regra, muitas taxas de sucesso (a parcela dos períodos passados em que a carteira durou o prazo) caíram, e 3% a 4% seguiram com sucesso alto nas carteiras com predominância de ações.
Inflação pede taxa menor. O estudo conclui que quem exige retiradas corrigidas pela inflação precisa aceitar uma taxa inicial bem menor.
Prazo longo pede retirada menor. O estudo diz que quem se aposenta cedo e espera um prazo longo de retiradas deveria planejar uma taxa menor que a de quem se aposenta mais tarde.
É planejamento, não contrato. O estudo diz que a escolha da taxa de retirada não é questão de contrato, mas de planejamento, e que correções no meio do caminho, para cima ou para baixo, provavelmente serão necessárias.
Quanto patrimônio a regra pede, e quanto tempo ele dura.
Premissas declaradas: valores em reais de hoje; retirada no começo de cada ano, corrigida pela inflação; retorno real líquido, depois do imposto, dos custos e da inflação, igual todos os anos, como hipótese de trabalho e não como promessa. A conta foi refeita por código em 7 de novembro de 2026.
| Gasto por mês, em reais de hoje | Gasto no ano | Patrimônio pela regra (25 vezes o ano) |
|---|---|---|
| R$ 5 mil | R$ 60 mil | R$ 1,5 milhão |
| R$ 10 mil | R$ 120 mil | R$ 3 milhões |
| R$ 20 mil | R$ 240 mil | R$ 6 milhões |
| R$ 30 mil | R$ 360 mil | R$ 9 milhões |
O gasto é o que a família consome por mês, em reais de hoje, depois do imposto. O imposto entra na conta pelo retorno real líquido da tabela seguinte; imposto cobrado à parte sobre a retirada pede patrimônio maior. A tabela mostra o patrimônio que a conta da regra pede; quanto tempo o patrimônio dura depende do retorno real, na tabela seguinte.
| Retorno real líquido ao ano, igual todo ano | Quanto tempo o patrimônio paga a retirada |
|---|---|
| 0% | 25 anos |
| 1% | Cerca de 28 anos |
| 2% | Cerca de 34 anos |
| 3% | Cerca de 44 anos |
| 4% | Cerca de 83 anos |
| A partir de cerca de 4,17% | Não acaba: o saldo não cai em reais |
Retirada de 4% do patrimônio inicial no começo de cada ano, corrigida pela inflação, em reais de hoje. Com a retirada no começo do ano, o patrimônio só se mantém quando o retorno sobre os 96% que ficam aplicados repõe os 4% retirados, o que pede cerca de 4,17% ao ano. O retorno é premissa desta página, não estimativa de nenhum investimento.
| Retorno real líquido ao ano | Para durar 30 anos | Para durar 40 anos | Para durar 50 anos |
|---|---|---|---|
| 0% | 3,33% | 2,50% | 2,00% |
| 2% | 4,38% | 3,58% | 3,12% |
| 3% | 4,95% | 4,20% | 3,77% |
| 4% | 5,56% | 4,86% | 4,48% |
Taxa de retirada do primeiro ano, sobre o patrimônio inicial, que zera o saldo no fim do prazo, com a retirada no começo de cada ano e corrigida pela inflação. Retorno igual todo ano é premissa: a carteira real oscila, e a próxima seção mostra o efeito disso. Como os juros sobre juros fazem o patrimônio crescer antes da retirada está em juros compostos.
O que a conta mostra
O prazo pesa junto com o retorno. Com retorno real de 3% ao ano, 4% duram cerca de 44 anos; para durar 50 anos, a retirada inicial cai para 3,77%. Quem para de trabalhar aos 45 anos e quer renda até os 95 está no prazo de 50 anos, não no de 30 do estudo.
O que a conta não mostra
A ordem dos retornos. A conta usa um retorno igual todo ano. A vida não, e anos ruins logo no começo pesam mais.
Gasto que muda. Saúde, ajuda aos filhos e reforma não vêm em valor fixo. A regra supõe a mesma retirada, em reais, todo ano.
Outras rendas. Aposentadoria do INSS, aluguel ou previdência privada reduzem o que a carteira precisa pagar, e a conta muda com elas.
Os mesmos retornos, em outra ordem, mudam o fim da história.
Exemplo com premissas desta página, em reais de hoje: patrimônio de R$ 1 milhão, retirada de R$ 40 mil por ano no começo de cada ano, 30 anos. Os dois caminhos têm os mesmos 30 retornos reais: três anos de 15% negativos, 24 anos de 4% e três anos de 15% positivos. Só a ordem muda.
Depois dos três anos de queda, o patrimônio está em cerca de R$ 527 mil e paga as mesmas retiradas sobre uma base menor. O patrimônio paga 21 anos de retirada e acaba no começo do 22º, antes dos anos bons do fim.
Depois dos três anos de alta, o patrimônio está em cerca de R$ 1,36 milhão. As quedas chegam no fim, sobre uma base maior, e sobram cerca de R$ 1,06 milhão depois de 30 anos.
A média simples dos retornos é a mesma nos dois caminhos, 3,2% ao ano, e o retorno composto também, cerca de 2,95% ao ano. Esse efeito da ordem, chamado risco de sequência, é um dos motivos para rever a retirada no caminho: em anos ruins no começo, cortar a retirada protege o resto do plano. A reserva para os gastos de curto prazo é assunto de reserva de emergência.
No Brasil, a pergunta é o retorno real líquido, não os 4%.
O estudo de 1998 usou ações e títulos americanos, inflação americana e nenhum imposto. Aqui, a retirada é em reais, a inflação é a do IPCA e boa parte dos rendimentos paga imposto de renda. A regra serve como ponto de partida para a conta, com as premissas trocadas pelas suas.
O que entra na tabela é o retorno depois do imposto de renda, dos custos e da inflação. O imposto de cada aplicação está em renda passiva e em Tesouro Direto.
Em 7 de novembro de 2026, a meta Selic era de 13,75% ao ano, e o IPCA dos 12 meses até setembro de 2026, de 4,58%, pelas séries do Banco Central. Os dois mudam: a Selic pode mudar a cada reunião do Copom, o comitê do Banco Central que a define, e o IPCA é atualizado todo mês. Um plano de 30 anos não se apoia na foto de uma data.
O estudo testou até 30 anos. Quem para mais cedo precisa da coluna de 40 ou 50 anos da tabela, com retirada menor ou patrimônio maior.
O estudo de 1998 testou ações e títulos dos Estados Unidos entre 1926 e 1995. Resultado de outro mercado, em outra moeda e em outro período, não vira previsão para a sua carteira.
Previdência privada também pode pagar a renda da aposentadoria, com regra própria de imposto: a escolha do plano e do regime está em PGBL ou VGBL.
O que esta página faz, e o que fica para o seu plano.
A página explica a regra, resume um estudo de 1998 sobre taxas de retirada e mostra contas com premissas abertas. Não indica investimento, não estima retorno de carteira e não substitui o seu contador.
Premissas, não previsões
Os retornos reais da conta são hipóteses para mostrar a ordem de grandeza. O retorno de cada carteira depende dos ativos, dos custos, do imposto e do momento, e pode ficar abaixo das faixas. Investimentos envolvem riscos, e resultados passados não garantem resultados futuros.
Quem orienta o quê
A orientação, a recomendação ou o aconselhamento individualizado sobre investimentos em valores mobiliários é atividade de consultor registrado na CVM (Resolução CVM 19/2021, arts. 1º e 2º). O plano financeiro organiza o conjunto: quanto retirar, por quanto tempo, de onde e com que imposto. O papel de cada profissional está em planejador financeiro.

A taxa de retirada é uma decisão do plano, não uma regra pronta.
Sou Adriano Teles, Estrategista Financeiro, empresário, sócio da W1 e fundador do escritório W1 Brasília. Atuo no mercado financeiro desde 2008.
Meu trabalho é o plano: fluxo de caixa, proteção, investimentos, previdência e sucessão olhados em conjunto, com a conta de cada decisão. O plano diz quanto você pode retirar, por quanto tempo e de onde; a escolha dos investimentos e de onde eles ficam é sua.
A Sessão Estratégica Financeira é o primeiro passo: o seu gasto, o seu prazo e a ordem das decisões.
Dúvidas sobre a regra dos 4 por cento.
As respostas seguem o estudo publicado no AAII Journal em fevereiro de 1998 e as séries do Banco Central, lidos em 7 de novembro de 2026. As contas usam as premissas declaradas na seção da conta.
O que é a regra dos 4 por cento?
É uma referência para a aposentadoria: no primeiro ano, a retirada é de 4% do patrimônio; nos anos seguintes, o mesmo valor corrigido pela inflação. Um estudo do AAII Journal de fevereiro de 1998 testou retiradas de 3% a 12%, com dados de 1926 a 1995.
Como calcular quanto preciso para me aposentar pela regra dos 4%?
Multiplique o gasto do ano por 25, porque 4% de 25 vezes o gasto pagam um ano. Gasto de R$ 10 mil por mês dá R$ 120 mil no ano e R$ 3 milhões de patrimônio; R$ 20 mil por mês, R$ 6 milhões. Os valores ficam em reais de hoje e supõem gasto líquido de imposto.
A regra dos 4% funciona no Brasil?
Como ponto de partida, sim; como garantia, não. O estudo de 1998 usou ações e títulos americanos e não considerou imposto nem custos. No Brasil, o que decide é o retorno real líquido, depois do imposto de renda, dos custos e da inflação: com 3% ao ano, a retirada de 4% dura cerca de 44 anos na conta desta página; com 2%, cerca de 34.
Quanto tempo o dinheiro dura retirando 4% ao ano?
Depende do retorno real. Com retirada de 4% do patrimônio inicial no começo de cada ano, corrigida pela inflação, o dinheiro dura 25 anos com retorno real zero, cerca de 28 anos com 1%, 34 com 2%, 44 com 3% e 83 com 4%. A partir de cerca de 4,17% ao ano, o saldo não cai em reais. São premissas de retorno igual todo ano.
A regra dos 4% considera o imposto de renda?
Não. O estudo de 1998 diz que não ajustou imposto nem custos de transação. Por isso o retorno que entra na conta desta página é o real líquido, depois do imposto, dos custos e da inflação. O imposto de cada aplicação está em renda passiva.
Qual a diferença entre a regra dos 4% e viver de renda?
Viver de renda retira só o retorno real e mantém o principal. A regra dos 4% mantém a retirada do primeiro ano, corrigida pela inflação, mesmo quando o retorno não repõe a retirada, e pode consumir o principal ao longo do prazo. O número inicial é o mesmo; o que acontece com o patrimônio, não.
Quem se aposenta cedo pode usar 4%?
Com prazo longo, a taxa que o patrimônio sustenta é menor. O próprio estudo de 1998 diz que quem espera um prazo longo de retiradas deveria planejar uma taxa menor. Na conta desta página, com retorno real de 3% ao ano, a retirada que dura 50 anos é de 3,77% do patrimônio inicial; com 2%, de 3,12%.
Fontes
Publicado em . Estudo do AAII Journal lido em 7 de novembro de 2026, na página da AAII. Séries do Banco Central lidas na mesma data. As contas desta página foram refeitas por código na mesma data, com as premissas declaradas na seção da conta.
Os retornos reais de 0% a 4% ao ano, o retorno igual todo ano, a retirada no começo do ano e os retornos do exemplo da ordem dos retornos são premissas da página, não dados de mercado. A meta Selic e o IPCA aparecem só como fotografia da data, não como premissa da conta. A regra da CVM citada nos limites está detalhada na página do planejador financeiro.
- Retirement Savings: Choosing a Withdrawal Rate That Is Sustainable, AAII Journal, fevereiro de 1998, com o método (retiradas de 3% a 12%, fixas ou corrigidas pela inflação, prazos de 15 a 30 anos, S&P 500 e títulos corporativos de longo prazo, dados de 1926 a 1995, sem imposto nem custos de transação) e as conclusões citadas nesta página.
- Banco Central do Brasil, série 432 do SGS, meta Selic definida pelo Copom, de 13,75% ao ano em 7 de novembro de 2026.
- Banco Central do Brasil, série 13522 do SGS, IPCA acumulado em 12 meses, de 4,58% até setembro de 2026.
- Resolução CVM nº 19, de 25 de fevereiro de 2021, arts. 1º e 2º, sobre a atividade de consultoria de valores mobiliários, citada nos limites desta página.
Antes da taxa de retirada, o plano.
Conte o seu momento, o seu gasto e o prazo que você imagina. A Sessão Estratégica Financeira é a conversa que decide se faz sentido seguir com um plano; é o plano que mostra quanto o seu patrimônio pode pagar por ano.
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